A VIDA E MORTE DE ROBSON MENDES
ROBSON TAVARES MENDES era filho do então deputado estadual HUMBERTO CORREIA MENDES e ingressou na política ainda jovem. Foi vereador pelo município de PALMEIRA DOS ÍNDIOS, sua terra natal, onde contribuiu para a emancipação política da cidade de Cacimbinhas ao opor-se ao prefeito Remi Tenório Maia. Em 1958, com a candidatura do prefeito Remi Maia ao cargo de deputado estadual, este renunciou ao mandato. Em seguida, ROBSON MENDES foi eleito pela Câmara Municipal de Palmeira dos Índios para concluir o mandato de Remi Maia, após ter sido indicado por seu cunhado, o governador MUNIZ FALCÃO. No ano de 1960, foi eleito prefeito do município de Cacimbinhas, Alagoas, deixando um legado de estabilidade política e administrativa. No entanto, teve de abdicar do cargo em decorrência das problemáticas que enfrentava, transmitindo-o ao seu vice-prefeito, José Ferreira de Albuquerque, em 1961. O Conselho Permanente de Justiça Militar decretou a prisão de ROBSON MENDES após ele ter sido acusado de ser o mandante do assassinato do comandante do 20º Batalhão de Caçadores, na cidade de Maceió, crime que teria sido praticado pelo sargento do Exército Fernando Ferreira da Costa. Em razão disso, ROBSON MENDES fugiu para Recife, de onde retornou quinze dias depois para concorrer às eleições de 1962, ocasião em que não podia ser detido. Em meio à incessante luta contra seus adversários políticos, ROBSON MENDES sofreu um atentado a tiros de fuzil em 28 de fevereiro de 1965, na estrada entre a cidade de Major Izidoro e sua fazenda, localizada nas proximidades do povoado do Teixeira. Na ocasião, ROBSON MENDES viajava em um jipe, acompanhado de um segurança, quando foi atingido no pescoço por um disparo de mosquetão. Foi socorrido para Palmeira dos Índios em uma ambulância da prefeitura, conduzida pelo soldado da Polícia Militar Pedro Tomé. Em razão da gravidade dos ferimentos, foi posteriormente transportado de avião para a cidade do Rio de Janeiro, onde, meses depois, recuperou-se e retornou normalmente às atividades da vida política, após ser submetido a uma cirurgia para implantação de uma placa de platina na região da omoplata. À época, diversos políticos estavam sendo cassados no Brasil, pois o país encontrava-se sob o regime da Ditadura Militar, instaurada em decorrência do Golpe de 1964, e com ROBSON MENDES não foi diferente. Em 1966, o presidente Castello Branco cassou o mandato político de ROBSON MENDES. Outros acontecimentos marcaram aquele mesmo ano, como a morte de Muniz Falcão e, posteriormente, a intervenção militar em Alagoas, conduzida pelo general João José Batista Tubino, que entregou o governo do Estado ao deputado Antônio Simeão de Lamenha Filho. Todos esses acontecimentos abalaram politicamente ROBSON MENDES que, acossado por processos e ameaças, recolheu-se ao seu sítio, onde atualmente se localiza o povoado Mata-Burro, no município de Estrela de Alagoas, saindo apenas acompanhado de dois pistoleiros, conhecidos pelas alcunhas de ZÉ GAGO e ZÉ CRISPIM, figuras notórias da violência política e do cangaço urbano e rural em Alagoas. Segundo jornais da época, a morte de ROBSON MENDES teria sido encomendada por ZÉ FERNANDES. Esses dois famosos pistoleiros integravam a guarda pessoal do ex-deputado e político Robson Mendes, em Palmeira dos Índios, tornando-se célebres na década de 1960. Mais tarde, os mesmos pistoleiros armariam uma emboscada contra ROBSON MENDES, executando-o com 84 tiros, em 8 de março de 1967. Posteriormente, os pistoleiros ZÉ GAGO e ZÉ CRISPIM foram presos no Estado da Bahia, após confessarem o crime. ROBERTO MENDES, irmão da vítima, acreditava que, na realidade, havia mais de quinze homens no local da chacina. O vereador JOSÉ FERNANDES também confessou ter participado da trama, juntamente com o fazendeiro ADEILDO NEPOMUCENO, da cidade de Santana do Ipanema outro inimigo de Robson Mendes, que, por sua vez, negou ser um dos autores intelectuais do crime.





